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O QUE É SOLIDÃO?

  • O QUE É SOLIDÃO?

A solidão é, atualmente, consequência do modo individual de viver. Tais consequências, por sua vez, estão relacionadas a níveis de suporte social. Pesquisas mostram que altos níveis de suporte social reduzem a vulnerabilidade às desordens mentais, de modo que uma participação ativa na rede social funcionaria como profilaxia da saúde mental.

A vida de relação é fundamental para o desenvolvimento do indivíduo, para a expressão da necessidade básica humana que é a comunicação e para o estabelecimento de relações interpessoais. Somos fundamentalmente uma espécie social e está na nossa natureza reconhecer, interagir e estabelecer relações com os nossos semelhantes. No entanto, a vida social exige uma série de tarefas, que nem sempre estamos capacitados para desempenhar da melhor forma.

Vivemos rodeados de pessoas, mas não necessitamos apenas da presença de outros; carecemos também da presença de pessoas que nos valorizem, em quem possamos confiar, com quem possamos comunicar, planear e trabalhar em conjunto.

  • DE ONDE SURGIU A PALAVRA SOLIDÃO?

A origem da palavra solidão é referida a ‘só’ e pode significar tanto ‘desacompanhado’ e ‘solitário’ como ‘único’. A solidão pode ser analisada, por um lado, por meio da dor e do sofrimento oriundos da perda. Por outro, como pela capacidade de estar só na ausência do outro.

O conceito de solidão em termos sociológicos é um subproduto da construção social do indivíduo. Ao afirmar sua individualidade, o ser humano afirma também a fragmentação do universo social e o isolamento do outro. Esse isolamento, porém, pode tornar-se insuportável e gerar a tentativa de ser superado por meio da relação interpessoal. Do ponto de vista sociológico, a solidão é, assim, o resultado da produção social de um humano “egocentrado”, individualista, narcisista.

A solidão, em termos psicológicos, pode caracterizar-se pela ausência afetiva do outro e estar intimamente relacionada com o sentimento, com a sensação de se estar só. O outro pode até estar próximo geograficamente, mas não há aproximação psicológica; falta interação e comunicação emocional.

A solidão é uma reação emocional de insatisfação, decorrente de falta e/ou de deficiência nos relacionamentos pessoais significativos, os quais incluem algum tipo de isolamento. Um fenômeno multidimensional, psicológico e potencialmente estressante; resultado de carências afetivas, sociais e/ou físicas, reais ou percebidas, que tem um impacto diferencial sobre o funcionamento da saúde física e psíquica do sujeito.

Confira depois: Me sinto muito sozinho.

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  • QUAIS SÃO AS CAUSAS DA SOLIDÃO?

A solidão é determinada por fatores intrínsecos (como a personalidade) e por condicionantes extrínsecos (como a rede social de apoio). Com efeito, o indivíduo que se sente sozinho percepciona as relações sociais como insuficientes ou de baixa qualidade, tendo em conta as suas preferências de envolvimento social

A solidão pode ocorrer tanto na presença quanto na ausência do outro. A esse respeito a solidão sociológica, que se revela pela ausência dos outros, mas lembra, também, que a solidão pode ser própria do ser enquanto ser, quando se revela na presença de outros, a também chamada ‘solidão acompanhada’. Poderíamos dizer que é na solidão que o ser humano reconhece o seu aspecto humano.

IMPORTANTE: É necessário considerar que existem pessoas que têm preferência por passar mais tempo sozinhas e ter uma rede social mais reduzida (isolamento ativo), sem implicar propriamente que se sintam sozinhas. Pessoas mais introvertidas têm preferência por baixos níveis de envolvimento social. Já a solidão implica uma discrepância entre as preferências pessoais de envolvimento social e a rede social que o indivíduo possui (isolamento passivo).

  • O MUNDO DE HOJE E A SOLIDÃO

A contemporaneidade, marcada por grandes avanços científicos e tecnológicos e pela expansão dos meios de comunicação, tem gerado uma crescente solidão no ser humano. Ela faz com que a comunicação entre as pessoas se encontre altamente comprometida devido ao estilo de vida individualista e consumista.

A solidão é, na atualidade, um dos mais graves problemas que desafiam a cultura e a sociedade. O mundo da tecnologia e da crescente expansão dos meios de comunicação tem, cada vez mais, produzido pessoas solitárias. O desenvolvimento técnico-científico, com suas extraordinárias potencialidades de humanização e de socialização, contrapõe-se à crescente solidão e ao individualismo gerados nas relações sociais

O individualismo narcisista aparece como sintoma social e produz a solidão, a sensação de vazio, de falta. A falta ou, melhor dizendo, a suposta falta, levando a comportamentos de compensação ligados ao consumo, tais como comprar e comer. Trata-se de ingerir, de se completar, de tentar preencher o que falta, ou o vazio, gênese da baixa autoestima de um mundo individualista que dá lugar à solidão.

Na tentativa de fugir da solidão, as pessoas perdem a oportunidade de usá-la como recurso poderoso, capaz de fazê-lo entrar em contato consigo mesmo para, a partir daí, amadurecer e melhorar significativamente seus relacionamentos.

Ao fugir da solidão, as pessoas, perdem, assim, a única coisa que a ajudaria positivamente a vencer a solidão a longo prazo, isto é, o desenvolvimento de seus recursos interiores, da força e do senso de direção, para usá-los como base de um relacionamento significativo com outros seres humanos. Os homens ’empalhados’ acabam por tornarem-se ainda mais solitárias, por mais que se apoiem nos outros, pois gente vazia não possui a base necessária para aprender a amar.

  • OS IMPACTOS DA SOLIDÃO

solidão é um problema prevalente e crescente. O aumento nas últimas décadas do isolamento e da solidão poderá dever-se ao envelhecimento populacional, ao aumento das taxas de divórcio, à maior mobilidade geográfica e à diminuição progressiva das dimensões das famílias.

O problema da depressão, crescente em nossos dias, pode ser explicado, entre outras formas, em termos da estrutura individualizada, característica da cultura ocidental contemporânea. Nela, o sujeito individualizado tende a personalizar estados internos de emoção, incluindo angústias resultantes da adversidade de eventos dolorosos da vida. Nessa linha de pensamento, um estilo de vida consumista, por sua vez, levaria à deterioração das relações interpessoais, corroborando o colapso do suporte social, com graves consequências para o desenvolvimento dos quadros patológicos ligados a essa sociedade individualista. O indivíduo deprimido sente-se sozinho ou ele fica deprimido por estar só?

  • PARA FINALIZAR

A solidão é um sentimento com o qual todos nós já nos deparámos ao longo da vida. Este sentimento negativo pode ser útil, pois motiva a renovação das ligações sociais. Desde cedo, na nossa espécie, prosperámos vivendo em comunidade, sendo o isolamento um fator de risco para não sobrevivermos aos elementos adversos do meio que nos rodeia. 

Os sentimentos aversivos da solidão eram úteis para renovar as ligações necessárias para promover a sobrevivência, a coesão e a ação coletiva. A solidão pode ser encarada, deste modo, como um constructo biológico semelhante aos estímulos desagradáveis como a sede ou a dor física que são essenciais para se recuperar o equilíbrio homeostático e, no caso da solidão, o equilíbrio social.

No entanto também podemos perceber a solidão como uma fonte de grande sofrimento, comprometendo o funcionamento executivo, o sono, a saúde mental e física, causando aumento de adoecimento e mortalidade. 

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